Atendimento às pessoas com TEA nas Bibliotecas Universitárias

Charge digital. Retângulo na horizontal com as bordas na cor preta e fundo branco. Acima do retângulo, no lado esquerdo está a hashtagacessibilidadeemcharges e no lado direito a frase “Descrição da imagem no texto alternativo”. Dentro do retângulo, na parte superior esquerda, encontra-se um retângulo com borda azul e no seu interior está escrito com letras pretas e maiúsculas “Dicas de Etiqueta”. Ao centro da imagem há um banco sem encosto. À direita do banco está Lucas. Ele é forte, tem cabelo amarelo com topete e usa máscara. À esquerda do banco, um pouco mais afastado, está Seu Bolota. Ele é magro, de estatura baixa, tem o cabelo cacheado  curto, veste uma calça branca e seu suéter branco com bolinhas pretas e usa máscara. Acima de Lucas há um balão de fala com os dizeres: “Ô, seu Bolota! Vim hoje para a Biblioteca porque agendei um atendimento de suporte à pesquisa. Acho que agora finalmente darei andamento ao meu TCC ”. E acima do Seu Bolota, sua resposta: “Vai lá mô quiridu. Com a orientação correta sei que tu vaix dar um banho!”. Na parte inferior da imagem, o chão está colorido na cor verde, indicando o gramado de um jardim de inverno.


Pessoas com Transtornos do Espectro Autista (TEA) apresentam algumas características que podem destoar das convenções sociais, como, por exemplo, alterações sensoriais – hipo ou hipersensibilidade a determinados fatores ambientais como, luminosidade, cheiros, sons e sabores. Tal alteração levará esses indivíduos a demonstrarem ausência de envolvimento ou intolerância a certas situações, permeadas por regras convencionadas, as quais podem não afetar pessoas que não apresentam TEA. O vídeo Carly’s Café – Experience Autism Through Carly’s Eyes ¹ auxilia na compreensão de como a alteração sensorial é vivenciada pelas pessoas com TEA.

Outras características comumente apresentadas por pessoas com TEA são: dificuldades na interação social, alterações na linguagem, necessidade por previsão (ações programadas), alterações na capacidade de manter e dividir atenção, manter o foco em alguma atividade, planejar e sequencializar ações (DONATI, CAPELLI, 2018).

Por isso, não conseguir estudar em uma determinada sala por conta do cheiro do ambiente, ou do barulho, ou do estímulo luminoso intermitente das lâmpadas, são exemplos de barreiras enfrentadas cotidianamente. Ou ainda necessitar compreender de forma objetiva e funcional cada etapa de um processo amplo e complexo como condicionante para conseguir executá-lo, como, por exemplo, a elaboração de um TCC, uma dissertação ou tese, a ponto de fazer com que pessoas com TEA desistam ou permaneçam na etapa inicial não concluindo tal atividade, mesmo com potencial e desejo para realizá-la.

Embora as pessoas com TEA tenham características que diferem do considerado comportamento típico elas têm potencial para desenvolver-se e realizar atividades com autonomia obtendo êxito. Um dado importante é o ingresso recorrente de pessoas com TEA nas instituições de ensino superior. E, nesse caso, as bibliotecas universitárias são espaços comumente frequentados por elas, tanto para estudo quanto para o uso dos serviços de acesso à informação.

Já foi mencionado no texto Barreiras e Facilitadores nos serviços da Biblioteca²que barreiras caracterizam-se por qualquer obstáculo do ambiente ou atitude que comprometa a participação das pessoas com deficiência. Para contribuir com a eliminação de barreiras vivenciadas por essas pessoas, elencamos algumas dicas para o atendimento acessível aos usuários com TEA na biblioteca:

  • Falar de forma assertiva com antecipação e objetividade;
  • Agendar atendimento que exija explicação longa e detalhada;
  • Apresentar cada informação individualmente ao usuário, com intuito de ampliar o foco atencional e diminuir a ansiedade;
  • Utilizar, se possível, recursos visuais como imagens, fotografias, etc;
  • Respeitar a escolha do usuário pelo ambiente para estudo, considerando as características sonoras, visuais e olfativas.

As dicas elencadas servem como orientação básica para a interação com usuários com TEA. Um exemplo interessante é o atendimento individualizado que ocorre no suporte à pesquisa, onde a(o) bibliotecária(o) se prepara com antecedência para o atendimento, cria um roteiro e sabe quais os interesses da(o) estudante, o que beneficia a todos usuários mas, para pessoas com TEA, é extremamente importante.

Ressaltamos que cada uma dessas pessoas possui características específicas e subjetivas. Portanto, a prática mais importante que se deve adotar é se comunicar de forma objetiva com cada usuária(o), perguntando-lhe se a informação está clara e de que modo pode se proceder para que o atendimento seja efetivo é a prática mais importante que se deve adotar.

Cabe lembrar que pessoas com TEA são consideradas pessoas com deficiência, conforme estabelecido no decreto n. 12.762/2012, e que a acessibilidade para as pessoas com essa condição é um direito previsto na legislação nacional vigente.

Notas

¹ O link para acesso ao vídeo está nas referências.

² Para acessar o texto https://portal.bu.ufsc.br/servicos/fala-biblioteca/barreiras-e-facilitadores-nos-servicos-da-biblioteca-2/

Referências

BRASIL. Decreto 12.764 de 27 de dezembro de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista; e altera o § 3º do art. 98 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12764.htm. Acesso em: 21 fev. 2021.

DONATI, Grace Cristina Ferreira, CAPELLINI, Vera Lucia Messias Fialho. Consultoria colaborativa no ensino superior, tendo por foco um estudante com transtorno do espectro autista. RIAEE: Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 13. n. esp. 2, p. 1459-1470, set., 2018. Disponível em: Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=6683074 . Acesso em: 25 fev 2021.

FLEISCHMANN, Carly. Carly’s Café: experience autism through Carly’s eyes. [S.l.]: [s.n.], 2013. 1 vídeo (2 min). Publicado pelo canal Carly Fleischmann. Disponível em: youtube.com/watch?v=KmDGvquzn2k. Acesso em: 02 mar. 2021.

 

Por Comissão Por uma BU Acessível (CABU)

Março, 2021